Integrantes da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a reeleição avaliam com preocupação os impactos de revelações sobre a relação entre o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e Daniel Vorcaro. O grupo teme que o episódio impulsione discursos da direita e candidatos alternativos na disputa presidencial de 2026.
A coordenação da campanha acredita que as informações sobre conversas e encontros envolvendo o ministro podem fortalecer críticas já adotadas por setores conservadores contra o STF. A preocupação atinge também nomes que tentam romper a polarização entre lulistas e bolsonaristas, como Augusto Cury (Avante), que já registrou intenções de voto na casa dos dois dígitos em levantamentos.
Aliados de Lula afirmam que os fatos divulgados dão maior repercussão a questionamentos históricos do bolsonarismo. Moraes é um dos principais alvos do grupo ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que acusa o magistrado de adotar medidas excessivas contra seus aliados.
A orientação interna no quartel-general da campanha é manter distância do caso e evitar qualquer associação do presidente com os fatos revelados. A estratégia busca reforçar a inexistência de conexão entre Lula e as situações investigadas, deixando a condução do processo com as instituições responsáveis.
O PT diverge de setores da direita ao não endossar pedidos de impeachment contra o ministro André Mendonça. Apesar de críticas internas sobre uma atuação seletiva do magistrado para interferir no calendário eleitoral, o partido prefere outra via de pressão.
A estratégia atual do PT é cobrar que Mendonça determine o levantamento do sigilo do caso Dark Horse. Segundo integrantes do partido, a divulgação desses dados poderia trazer elementos com implicações para o senador Flávio Bolsonaro (PL), principal adversário de Lula na corrida presidencial.


