O Canadá impôs tarifas de 15% a 50% sobre centenas de produtos dos Estados Unidos nesta terça-feira (8). A medida, que entrou em vigor à 0h01 no horário de Nova York, eleva a taxa de importação de produtos siderúrgicos para 50% e abrange bens de consumo como cosméticos, queijos e motocicletas.
O primeiro-ministro Mark Carney afirmou que a decisão busca incentivar Washington a retornar à mesa de negociações. Segundo Carney, a Casa Branca apresentou exigências que violariam a soberania canadense e prejudicariam a competitividade de setores como o de caminhões pesados. O premiê, de 61 anos, ironizou a postura do governo Trump ao sugerir que a assinatura de acordos comerciais por parte dos americanos era feita “a lápis”.
A retaliação ocorre após os Estados Unidos aplicarem, em 22 de agosto, tarifas de 50% sobre US$ 20 bilhões em mercadorias canadenses. O governo de Donald Trump já sinalizou que pode responder com novas medidas. O representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, indicou a possibilidade de mais tarifas ou proibições de importação, embora não tenha definido prazos.
Exportadores de estados como Michigan e Ohio devem ser os mais afetados, em um período que antecede as eleições legislativas de meio de mandato em novembro. Paralelamente, Trump ameaçou impedir a venda de jatos da fabricante Bombardier Inc. nos EUA, alegando que a empresa sobrevive às custas de compradores americanos. A fabricante possui mais de 2.800 fornecedores nos Estados Unidos.
Negociadores dos dois países chegaram a anunciar um acordo preliminar em 18 de agosto, mas as conversas fracassaram. O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, comparou o Canadá a um “cachorrinho barulhento” em entrevista recente. Trump também publicou mensagens criticando o desequilíbrio do dólar canadense e assinou ordem para renomear o Lago Ontário como “Lake America” nos mapas americanos.
Economistas da Oxford Economics estimam que o efeito combinado das tarifas de ambos os países reduzirá a produção econômica do Canadá em 0,3%. O país registra crescimento desigual, com a taxa de demissões concentrada em setores dependentes de exportações para os EUA. O presidente da Câmara dos Representantes dos EUA, Mike Johnson, defendeu a retomada do diálogo para resolver a disputa.


