O Centro do Rio de Janeiro possui cerca de 3,7 mil unidades residenciais prontas ou em construção, de um total de 8.903 licenciadas entre 2021 e julho de 2026. O movimento, impulsionado pelo programa municipal Reviver Centro, atrai novos investimentos em gastronomia e cultura para a região, embora 33% das salas comerciais do bairro permaneçam vazias.
Segundo o Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon), investidores respondem por 60% das compras desses imóveis, enquanto o restante é destinado a moradia. Claudio Hermolin, presidente da entidade, afirmou que a tendência é o aumento da oferta de residenciais maiores conforme o estoque de estúdios seja consumido.
A mudança de perfil reflete a conversão de prédios comerciais em residenciais. Na Rua Sete de Setembro, o antigo Shopping Vertical passa por reforma para se tornar um condomínio com 172 estúdios, com unidades vendidas a partir de R$ 360 mil. João Paulo Matos, CEO da construtora Calçada, disse que a localização próxima ao Aeroporto Santos Dumont e ao metrô favorece a atração de turistas.
O setor gastronômico também expande. O empresário Raphael Vidal planeja quatro restaurantes no polo do Beco das Sardinhas, com aberturas previstas para setembro e outubro. Na Rua do Senado, a chef Larissa Lopes e o francês Laurent Rinaudo finalizam obras de dois estabelecimentos de culinária asiática e mediterrânea, previstos para inaugurar em outubro.
Na Lapa, a Glória Participações planeja abrir um hostel com 120 camas na Rua Mem de Sá em 2027. O grupo também adquiriu um terreno de 3,3 mil metros quadrados na Rua Teotônio Regadas para estudar a construção de um residencial.
Apesar do crescimento habitacional, a vacância comercial persiste. Dados da Associação Brasileira de Administradores de Imóveis (Abadi) indicam que 7,4 mil das 22,6 mil salas do Centro estão desocupadas. Marcelo Borges, presidente da Abadi, estima que o auge da ocupação ocorra em cinco a sete anos, à medida que novos moradores atraiam profissionais liberais.


