O Centro Histórico de São Luís, reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco desde 1997, apresenta um cenário de vulnerabilidade com 79 imóveis classificados em situação de risco crítico pela Defesa Civil. A área de 66,65 hectares, considerada testemunho da civilização colonial portuguesa, sofre com o abandono de fachadas e estruturas internas em diversas ruas da capital maranhense.
Dados da Defesa Civil de maio deste ano indicam que 130 imóveis são monitorados no centro da cidade. Nos últimos dez anos, 36 desses casarões sofreram desabamentos. A Unesco, em sua ficha técnica sobre o sítio, advertiu que o conjunto urbano é extremamente vulnerável à negligência, apesar de a autenticidade dos materiais e espaços ainda ser considerada elevada.
Para combater a degradação, a Prefeitura de São Luís iniciou, em 1º de setembro, a restauração do antigo Orfanato Santa Luzia, na Rua Osvaldo Cruz. O investimento de R$ 15,153 milhões prevê a requalificação do imóvel em 18 meses para a instalação de um Centro de Formação de Professores. Outra intervenção ocorre no antigo Palácio do Comércio, na Praça Benedito Leite, com aporte de R$ 30 milhões para a criação do Centro Maranhense de Oportunidades.
Em abril, o Governo Federal, o Governo do Maranhão e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) anunciaram R$ 63,9 milhões para obras em dez edificações, incluindo as igrejas de São João, Santana e do Carmo, além do Solar da Baronesa e do Palácio das Lágrimas. Este último recebeu cerca de R$ 6 milhões para adaptação às atividades da Universidade Federal do Maranhão.
O setor privado também registra movimentações na região. O grupo português Vila Galé investe R$ 150 milhões em três prédios históricos para a implantação de hotelaria e gastronomia. O hotel, previsto para inaugurar em outubro, é o primeiro de alto padrão na área histórica.
A situação do patrimônio é exemplificada pela sede da Superintendência do Iphan em São Luís, onde o letreiro da instituição apresenta sinais de desgaste, com a letra M de Maranhão soltando-se da fachada. O cenário contrasta com modelos de recuperação urbana em cidades como Panamá, Cartagena de Indias e San Juan de Puerto Rico, onde o patrimônio é pilar da economia turística.


