O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, adiou uma ligação com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, marcada para esta quarta-feira (9). A decisão ocorreu horas depois de Trump comemorar o desempenho da extrema direita em uma eleição regional alemã, embora o governo de Berlim não tenha confirmado oficialmente a relação entre os fatos.
O telefonema deveria tratar dos 25 anos dos atentados de 11 de setembro de 2001. O porta-voz do governo, Stefan Kornelius, informou em coletiva de imprensa em Berlim que o adiamento partiu do lado alemão. Questionado sobre a razão, Kornelius descartou conflitos de agenda, mas não apontou outro motivo.
Na terça-feira (8), Trump publicou no Truth Social que o partido Alternativa para a Alemanha (AfD) teve uma “noite realmente grande” na eleição da Saxônia-Anhalt. O presidente americano encerrou a postagem com a sigla “MGGA”, adaptação de seu slogan para “Make Germany Great Again”.
A AfD obteve cerca de 44% dos votos no estado, superando em mais do dobro o resultado da União Democrata Cristã (CDU), legenda de Merz. Apesar do índice, o partido não alcançou maioria absoluta no Parlamento estadual, mas o resultado possibilita a participação da extrema direita em um governo regional pela primeira vez desde o fim da Segunda Guerra Mundial.
O chanceler Merz já havia cobrado de Washington a não interferência em campanhas eleitorais alemãs. Em julho, ele afirmou que a Alemanha não interfere em eleições americanas e esperava a mesma postura dos Estados Unidos.
Nesta quarta-feira, Merz acusou a AfD de defender uma política de remigração que resultaria na expulsão de milhões de pessoas, classificando a medida como “limpeza étnica”. A legenda rejeitou a acusação e disse que as propostas respeitam a legislação do país. Não há nova data para a conversa entre os líderes.


