Pesquisadores do British Geological Survey (BGS) e da Universidade de Oslo identificaram uma erupção vulcânica ocorrida há 454,4 milhões de anos no leste da Inglaterra. A explosão foi tão intensa que lançou cinzas na atmosfera, atravessando o antigo mar de Tornquist até atingir áreas onde hoje ficam a Escandinávia e o Mar Báltico.
A origem do evento foi revelada por cristais de zircão retirados há cerca de 80 anos de dois poços localizados em Norfolk e Lincolnshire, separados por 65 quilômetros. O mineral, que se forma no magma, contém urânio que se transforma em chumbo, permitindo que cientistas calculem a idade exata do cristal.
A idade de 454,4 milhões de anos coincide com a camada de cinzas de Kinnekulle, encontrada no norte da Europa. Essa similaridade foi a pista principal para conectar a atividade vulcânica no solo inglês aos depósitos minerais na Escandinávia e no Mar Báltico.
Na época, durante o período Ordoviciano, as duas regiões eram separadas por mar. A força da erupção teria lançado centenas de quilômetros cúbicos de material a altitudes superiores a 40 quilômetros, alcançando a estratosfera. O processo pode ter durado dias ou semanas.
O fenômeno teria gerado fluxos piroclásticos, que são avalanches de gases, cinzas e rochas em altas temperaturas. Peter Rowley, professor da Universidade de Bristol, afirmou que a escala do evento liberou energia comparável ao impacto de milhares de bombas atômicas.
O estudo foi publicado na revista Geological Society of America Bulletin. Rowley comparou a magnitude do evento à erupção de Oranui, no vulcão Taupō, na Nova Zelândia, ocorrida há mais de 26 mil anos.


