Pesquisadores identificaram uma interação de partículas em um experimento instalado a 1,5 quilômetro abaixo da superfície, em uma mina de ouro na Dakota do Sul, Estados Unidos. O registro, apresentado nesta terça-feira (1º) em conferência no Japão, pode indicar a existência de matéria escura, embora a equipe ainda não confirme a detecção direta.
O evento foi observado pelo LUX-ZEPLIN (LZ), detector que utiliza 10 toneladas de xenônio líquido para procurar partículas massivas de interação fraca, conhecidas pela sigla WIMP. A estrutura é administrada pelo Laboratório Nacional Lawrence Berkeley, órgão vinculado ao Departamento de Energia dos Estados Unidos. Os resultados também foram enviados à revista Physical Review Letters.
Durante a análise, a equipe notou uma interação entre um átomo de xenônio e outra partícula com comportamento compatível ao de um WIMP. A hipótese é que a colisão tenha transferido energia, produzindo um fraco sinal de luz ultravioleta e o recuo do núcleo do átomo. Sam Eriksen, físico da Universidade de Bristol e autor principal do estudo, disse que o resultado pode ser um primeiro indício de observação relacionada à matéria escura.
Apesar do sinal, os pesquisadores informaram que o resultado não atingiu o nível estatístico para confirmar a descoberta, pois apenas um evento foi registrado. Eriksen afirmou que, por se tratar de um único caso, não se pode garantir que seja matéria escura. A equipe agora trabalha para eliminar outras explicações possíveis para o sinal.
Alvine Kamaha, astrofísica da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) e coautora do estudo, explicou que é necessário reunir evidências adicionais. Segundo a pesquisadora, milhões de partículas de matéria escura podem atravessar o corpo humano a cada segundo sem interagir com nenhum átomo, o que torna a detecção extremamente difícil.
A matéria comum, que compõe estrelas e planetas, representa apenas uma parcela do Universo. A maior parte seria formada por matéria escura, que não emite nem reflete luz. Sua existência é inferida pelos efeitos gravitacionais que provoca em galáxias e aglomerados cósmicos, movimentos que não podem ser explicados apenas pela matéria visível.


