O Cinema Iris, em funcionamento desde 1909 na Rua da Carioca, no Centro do Rio, prepara mudanças em seu modelo de negócio para se adequar ao projeto da prefeitura de transformar a via na Rua da Cerveja. O espaço planeja diversificar a programação com eventos, tours guiados e venda de bebidas.
Atualmente, a sala mantém sessões contínuas de filmes adultos entre as 10h e as 19h, atraindo majoritariamente o público LGBTQIA+. Marcelo Argileu, gestor e bisneto do fundador João Cruz Júnior, projeta a alteração do perfil do cinema para incluir a exibição de filmes de época e a realização de eventos, mencionando a possibilidade de parceria com uma cervejaria.
Teresa Cristina Repsold Paixão, prima de Argileu, afirmou que a gestão se empenhou para preservar a história do local. Ela relatou que a família chegou a recusar uma proposta de compra feita pela Igreja Universal do Reino de Deus em 2009. Anteriormente, em 1997, o cinema venceu uma ação de despejo movida pela Venerável Ordem Terceira de São Francisco da Penitência, proprietária do terreno na época.
Projetado pelo engenheiro Paulo de Frontin, o cinema teve os nomes de Soberano, até 1911, e Vitória, em 1912, antes de ser batizado como Iris. O imóvel é tombado desde 1978 pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac). Ao longo de mais de um século, a sala abrigou orquestras ao vivo, operetas, shows de artistas como Gonzaguinha e Los Hermanos, além de bailes de carnaval.
A trajetória do Iris reflete a mudança dos cinemas de rua no Rio, que perderam espaço para shoppings a partir da década de 1980 devido à violência urbana. Antes disso, a popularização da televisão e do VHS forçou a casa a diversificar a grade, que incluiu faroestes e apresentações de strip-tease nos intervalos.
Em 2015, o cinema estabeleceu parceria com a Universal Filmes para lançamentos do estúdio norte-americano no Brasil. Agora, a administração busca adequar o espaço para receber desde shows até happy hours, acompanhando a nova vocação comercial da Rua da Carioca.


