A coligação de Ciro Gomes (PSDB) acionou o Ministério Público do Ceará nesta quarta-feira (2), após pichações no município de Itapipoca proibirem a realização de campanha para o candidato ao governo estadual. As mensagens, atribuídas à facção Primeiro Comando Capital (PCC), resultaram em uma notícia-crime para apuração de crimes eleitorais e intimidação política.
Imagens anexadas ao processo mostram muros com avisos de que seria proibido fazer propaganda para o tucano na cidade. A coligação reconhece que as fotos não permitem confirmar a vinculação direta ao grupo criminoso, mas afirma que o conteúdo é grave o suficiente para justificar a investigação imediata das autoridades.
O episódio ocorre enquanto a segurança pública se consolida como tema central da disputa. Segundo a pesquisa Genial/Quaest, publicada em julho, 53% dos moradores do Ceará consideram a violência o principal problema do estado. O cenário é marcado pela atuação de grupos como Comando Vermelho (CV), PCC, Guardiões do Estado (GDE) e Massa Carcerária.
Artur Pires, professor da Universidade Estadual do Ceará (Uece), explica que o CV passou a ter hegemonia na região metropolitana de Fortaleza e em outras áreas desde o segundo semestre de 2025. Para o pesquisador, esse movimento contribuiu para a redução de confrontos e de homicídios, embora critique a falta de medidas inovadoras do governo estadual.
Chagas Vieira, coordenador da campanha do governador Elmano, defendeu que a queda da violência é fruto de investimentos em inteligência, tecnologia e contratação de policiais. Vieira afirmou que o adversário não possui legitimidade para tratar do tema por ter aliados que atuaram em motins policiais.
Em resposta, Roberto Cláudio, candidato a vice na chapa de Ciro, disse que a gestão atual utiliza táticas defasadas de enfrentamento. Cláudio afirmou que o novo governo atuará para restaurar a autoridade e a disciplina na força pública, priorizando inteligência diante do domínio territorial das facções.


