A confiança dos consumidores brasileiros recuou pelo quarto mês seguido em agosto, segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV). O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) caiu 3,6 pontos, fechando em 84,7 pontos, o patamar mais baixo registrado desde novembro de 2022.
A percepção sobre o futuro apresentou a maior queda, com recuo de 5,4 pontos, situando-se em 86,1 pontos. A disposição para a compra de bens duráveis, como eletrodomésticos e móveis, caiu 10 pontos, atingindo 74,7 pontos, o menor volume desde julho de 2022.
De acordo com a FGV, o resultado reflete as dificuldades financeiras das famílias, que enfrentam níveis elevados de endividamento e inadimplência em um cenário de juros altos. O pessimismo leva os consumidores a adiar compras e a controlar os gastos.
A retração impacta diretamente os setores de comércio e indústria. A fundação informou que a redução nas vendas pode forçar empresas a diminuir estoques, cortar investimentos e reduzir custos com pessoal.
Embora o mercado de trabalho brasileiro siga forte, a sequência de quedas sinaliza uma possível desaceleração do consumo no segundo semestre. O cenário cria o risco de uma reação em cadeia, onde o faturamento menor das empresas pode levar a cortes de postos de trabalho.
O indicador não indica uma onda imediata de demissões, mas serve como alerta para a economia. A manutenção do emprego pode se tornar mais difícil caso o pessimismo persista nos próximos meses.


