O Conselho Deliberativo do São Paulo expulsou o ex-presidente Júlio Casares nesta quinta-feira (10), após votação encerrada no fim da tarde. A decisão, tomada por 224 votos a dois, com cinco abstenções, fundamenta-se em acusações de gestão temerária com base no artigo 34 do estatuto social do clube.
A Comissão de Ética do clube sugeriu a expulsão e o ressarcimento financeiro em relatório final. O órgão considerou R$ 7 milhões em saques realizados por Casares, valor que é alvo de investigação de uma Força-Tarefa composta pela Polícia Civil e pelo Ministério Público. O ex-presidente afirma que as quantias foram utilizadas em despesas do futebol.
O relatório também aponta o uso de cartão corporativo em cerca de R$ 1 milhão, dos quais pouco mais da metade foi reembolsada ao clube. Esta ação se enquadra no artigo 11 do estatuto, referente a dano ou prejuízo material. O valor final do ressarcimento será definido pelo departamento financeiro e validado pelo Conselho Fiscal.
Casares, que renunciou no início do ano após ser afastado, não compareceu à reunião da Comissão de Ética. Representantes do ex-presidente alegam que ele sofreu um processo de exceção e teve o direito de defesa cerceado por falta de documentos para compor a representação.
A Comissão de Ética rebateu a tese, afirmando que os autos registram o fornecimento de material extenso, incluindo relatórios de auditoria, faturas e respostas de Compliance. O grupo é composto por Luiz Augusto Lia Braga, Mario Celso da Silva Braga, Milton José Neves Júnior, José Edgard Galvão Machado e Fábio Cesar de Souza Azambuja.
Em nota, a defesa de Casares declarou estar espantada com o desfecho, classificando a medida como abusiva e de cunho político. Os advogados afirmaram que a decisão tem ares de perseguição e reiteraram a confiança de que a regularidade da atuação do ex-presidente será reconhecida pelas autoridades judiciárias.


