O contrato firmado entre o escritório de Viviane Barci, esposa do ministro Alexandre de Moraes, e o banqueiro Daniel Vorcaro previa a prestação de “consultoria estratégica” e a criação de um núcleo para tratar de inquéritos nas polícias Federal e Civis, segundo documentos anexados aos autos do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF).
O arquivo, datado de 16 de janeiro de 2024, não menciona a possibilidade de impedimentos no julgamento de ações no STF. O texto estipula a atuação junto ao Banco Central, Receita Federal e Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), além do acompanhamento de processos em todas as instâncias do Judiciário e a implantação de um programa de compliance.
Investigações da Polícia Federal (PF) indicam que o documento foi acessado por um perfil de Alexandre de Moraes. O ministro teria recebido mensagens de Vorcaro em novembro de 2025, período em que o banqueiro estava prestes a ser preso pela primeira vez. Relatórios da PF mostram que o dono do Banco Master pedia ajuda a Moraes para bloquear ações contra a instituição e consultou o magistrado sobre a possibilidade de sair do país.
Para a execução dos serviços, a banca de Viviane Barci organizaria cinco núcleos de atuação voltados ao Judiciário, Polícia Judiciária e órgãos do Executivo e Legislativo. No Congresso, o trabalho consistiria em acompanhar projetos de lei de interesse do banco. O contrato previa o pagamento de 36 parcelas mensais de R$ 3 milhões, com multa de 10% e juros de 1% ao mês em caso de atrasos superiores a 15 dias.
Em nota, o escritório de Viviane Barci afirmou que o setor de compliance consultou o ministro para avaliar eventuais impedimentos devido à condição de marido da sócia. A banca declarou que o contrato foi assinado porque não havia previsão de atuação no STF nem impedimento legal, já que Moraes jamais teria julgado causas envolvendo o Banco Master. O serviço foi interrompido em novembro de 2025, com a liquidação do banco.
A divulgação dos documentos foi determinada pelo ministro André Mendonça, relator do caso, após pedido do presidente do STF, Edson Fachin.

