O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), reuniu-se com o ministro Gilmar Mendes na última quarta-feira para discutir o cenário político e preservar canais de interlocução com o Supremo Tribunal Federal (STF), enquanto o candidato amplia a pressão pelo impeachment de Alexandre de Moraes.
A conversa, confirmada por interlocutores de ambos os lados, ocorreu em um momento de escalada nas críticas de Flávio Bolsonaro a integrantes da Corte. Pessoas próximas a Marinho afirmam que o objetivo foi deixar claro que a defesa do afastamento de Moraes não representa uma intenção de romper relações com os demais ministros do tribunal.
O candidato a presidente tem intensificado a ofensiva nesta semana, associando Moraes ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Flávio Bolsonaro insinuou que Moraes e Alcolumbre estariam articulando ações para prejudicar sua candidatura, embora não tenha apresentado provas.
A movimentação de Marinho também buscou sondar o ambiente interno do STF e os desdobramentos do confronto entre Alexandre de Moraes e o ministro André Mendonça. A crise se agravou após relatórios da Polícia Federal (PF) exporem mensagens sobre a relação de Moraes com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, o que levou a oposição a protocolar novos pedidos de impeachment.
O embate interno na Corte cresceu quando Moraes encaminhou ao presidente do STF, Edson Fachin, relatórios de inteligência da PF que apontariam irregularidades na condução de investigações por André Mendonça. Rogério Marinho acusou Moraes, em nota, de usar o inquérito das fake news para constranger Mendonça, classificando o episódio como deterioração institucional.
Apesar do tom público agressivo e da convocação de apoiadores para atos no dia 7 de setembro, a coordenação da campanha tenta evitar o fechamento total dos canais com o Supremo. A avaliação é que a crise possui desdobramentos imprevisíveis, tornando necessária a manutenção de interlocutores para monitorar os limites da ofensiva política.


