Um levantamento realizado com instituições de ensino no Rio de Janeiro identificou creches que proíbem a oferta de alimentos ultraprocessados. A medida visa proteger o desenvolvimento cognitivo e a saúde de crianças na primeira infância, evitando riscos de obesidade e dificuldades de aprendizado associadas ao consumo de açúcar e sódio.
A nutricionista Thays Peres explicou que a dieta ideal para crianças deve ser baseada em alimentos in natura ou minimamente processados, como frutas, legumes, verduras, feijão, ovos e carnes. Segundo a especialista, a substituição de nutrientes essenciais por produtos ultraprocessados pode causar cansaço e prejudicar a concentração dos alunos.
Estudos indicam que o consumo frequente desses alimentos pode comprometer o desenvolvimento cerebral a longo prazo. Peres alertou que a presença significativa de ultraprocessados na rotina escolar aumenta o risco de ganho de peso excessivo, obesidade e alterações metabólicas que podem persistir ao longo da vida.
Entre as instituições no Rio de Janeiro que vetam esses produtos estão a Planeta Mágico, Alfa Cem, Criançartes, Colégio Santa Marcelina, Creche escola Criativa e a Rede Daltro Educaciona. Os dados foram obtidos por meio de um questionário enviado às escolas para mapear a rotina alimentar e a infraestrutura.
A apuração considerou instituições com pelo menos 30 alunos e média de até 12 crianças por professor. O critério segue resolução de 2024 do Conselho Nacional de Educação (CNE), que estabelece limites de alunos por educador para garantir a interação e a responsabilidade no cuidado infantil.
Além da alimentação, o mapeamento analisou a presença de câmeras ao vivo, tempo de tela, processos de alfabetização e a infraestrutura física, como a existência de hortas, áreas verdes e salas adaptadas para pessoas com deficiência.


