A divulgação de trechos de investigação da Polícia Federal sobre o ministro Alexandre de Moraes e denúncias de repasses financeiros ao candidato Flávio Bolsonaro não alteraram a tendência das pesquisas eleitorais. Segundo levantamento do instituto Quaest, realizado entre 30 de agosto e 1º de setembro, os candidatos seguem tecnicamente empatados em um eventual segundo turno.
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), divulgou na terça-feira (1º) mensagens que sugerem ter havido a edição de um contrato de R$ 131 milhões entre o escritório da esposa de Alexandre de Moraes, Viviane Moraes, e André Vorcaro, controlador do Banco Master. A Procuradoria Geral da República (PGR) pediu a nulidade da apuração.
No mesmo dia, reportagem da revista piauí afirmou que Flávio Bolsonaro (PL) teria recebido ao menos R$ 60 milhões de Vorcaro para a produção de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Os dados ampliam repasses já divulgados em maio por outro veículo de imprensa.
Apesar dos fatos, a pesquisa Quaest, que ouviu 2.004 pessoas, registrou Lula com 37% e Flávio Bolsonaro com 29% na disputa pela liderança. No segundo turno, o petista soma 42% contra 41% do candidato do PL, variações que ficam dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.
Matheus Dias, economista e fundador do instituto Opus, afirmou que o impacto é limitado porque as denúncias alimentam a narrativa de perseguição utilizada pelo PL. Segundo Dias, eleitores de direita votam em Flávio para impedir um quarto mandato de Lula, enquanto eleitores de esquerda mantem o apoio ao atual presidente para evitar a volta da direita ao poder.
O professor de direito constitucional da FGV Rio, Álvaro Jorge, disse que o momento da divulgação das mensagens por André Mendonça pode prejudicar a imagem do STF. Jorge afirmou que a trajetória de Moraes contradiz a leitura de que o ministro seria aliado do PT, partido que criticou sua indicação ao cargo.
As demandas prioritárias dos eleitores, segundo a Opus, concentram-se em segurança pública, economia e saúde. O economista avalia que a eleição será acirrada e baseada na rejeição mútua entre os candidatos, com o eleitor de centro representando entre 3 e 10 pontos percentuais do total.


