A crise no Supremo Tribunal Federal (STF), intensificada por conflitos entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, ampliou a pressão sobre o ministro Jorge Messias, da Advocacia-Geral da União (AGU). A situação coloca em dúvida a indicação de Messias para a vaga deixada por Luís Roberto Barroso, aposentado há quase um ano.
Lula vinha sinalizando que indicaria novamente o aliado, que foi rejeitado pelo Senado em abril sob articulação de Davi Alcolumbre. No entanto, integrantes do círculo próximo ao presidente agora sugerem a indicação do desembargador Ricardo Couto, governador interino do Rio de Janeiro. Segundo interlocutores, a troca de Messias seria um “sacrifício” para reduzir a tensão institucional.
O impasse envolve a proximidade de Messias com o ministro André Mendonça, que integra um bloco antagonista a Moraes, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes. Aliados do presidente temem que a entrada de Messias na Corte fortaleça esse grupo oposto. O chefe da AGU, que não se manifestou oficialmente sobre a possível troca, classificou a menção ao seu nome em um relatório da Polícia Federal (PF) como “vingança”.
O documento da PF, utilizado por Moraes para questionar Mendonça, sugere que Messias teria evitado contestar decisões em inquéritos sobre fraudes no INSS e suspeitas de tráfico de influência envolvendo Fábio Luís Lula da Silva para preservar a relação política com Mendonça. A PF queria que a AGU recorresse de ordens de delimitação de acesso a materiais de investigação, o que não ocorreu.
Em nota divulgada na sexta-feira, Messias afirmou que não havia embasamento jurídico para apresentar o recurso nos termos exigidos pela corporação. Ele declarou ter buscado diálogo com Mendonça e com o presidente do STF, Edson Fachin, para evitar o agravamento da situação. O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, não se manifestou.
Críticos da indicação apontam que investigações sob relatoria de Mendonça têm causado desgastes à imagem de Lula, incluindo a revelação de diálogos de Fábio Luís e do ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro. Aliados de Messias, contudo, argumentam que o presidente não pretende trocar o nome e que a aprovação anterior no Senado foi barrada apenas por conjuntura política desfavorável.


