A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) implementará ainda este ano um sistema de fiscalização de mercados baseado em inteligência artificial para agilizar o acompanhamento de fundos e investimentos. O presidente da autarquia, Otto Eduardo Lobo, afirmou nesta quarta-feira (2) que a expectativa é de que a supervisão esteja operando em até três meses.
O novo sistema funcionará 24 horas por dia, sete dias por semana, permitindo a análise de todas as companhias em vez de amostras. Para viabilizar a operação, a CVM contratará empresas para digitalizar dados de mercado e migrá-los para a nuvem. A medida deve elevar o volume de empresas fiscalizadas pela supervisão prudencial.
Paralelamente, a autarquia prepara a regulação de ativos digitais e tokens para este ano. Uma audiência pública sobre o tema termina em 60 dias e um grupo de trabalho interno já elabora recomendações. O sistema de supervisão para essas novas infraestruturas será testado na Associação Brasileira das Entidades de Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).
Lobo explicou que a regulação de ativos digitais apresenta maior complexidade por falta de definição tecnológica global, citando discussões em andamento nos Estados Unidos. Segundo o presidente, o monitoramento digital permitirá acompanhar o ativo desde a criação até o fim de sua vida, facilitando o combate à lavagem de dinheiro e a fraudes.
Os projetos são financiados por associações de classe, como a Abrasca, Anbima e Ancord. As entidades anteciparam valores que a CVM receberá em 2027, seguindo decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de que 75% da taxa de fiscalização do mercado sejam investidos na autarquia, totalizando R$ 658 milhões no orçamento.
Para suportar o aumento da demanda por processos e fiscalizações, a CVM recebeu autorização para realizar concursos públicos. A meta é a contratação de mil novos servidores nos próximos meses para reforçar as equipes de tecnologia e outras áreas administrativas.


