O daltonismo pode levar anos para ser diagnosticado, já que pessoas que nascem com a condição não percebem que enxergam de forma diferente. Segundo o National Eye Institute (NEI), dos Estados Unidos, a deficiência na visão das cores afeta aproximadamente um em cada 12 homens.
A condição engloba diversas alterações na percepção cromática, não significando que todos vejam o mundo em preto e branco. As formas hereditárias mais comuns comprometem a diferenciação entre tons de vermelho e verde. Existem também variações menos frequentes relacionadas ao azul e ao amarelo, com diferentes níveis de severidade.
A prevalência em homens ocorre porque os genes das deficiências mais comuns estão no cromossomo X. Homens possuem apenas um cromossomo X, bastando uma alteração para a manifestação da condição. Nas mulheres, que possuem dois cromossomos X, a alteração geralmente precisa estar presente em ambos para que o daltonismo se desenvolva.
O problema ocorre na retina, nos cones, que são células fotorreceptoras sensíveis a diferentes comprimentos de onda da luz. Quando esses sistemas funcionam de maneira distinta, a capacidade de diferenciar tonalidades muda. A oftalmologista Adriana Tytiun afirma que a pessoa não confunde as cores, mas não as vê, e o cérebro tenta interpretar a imagem.
Em crianças, os sinais surgem no aprendizado das cores ou em atividades escolares. Adultos podem notar a dificuldade ao lidar com mapas, gráficos e sinalizações. Para o diagnóstico, são utilizados testes como o de Ishihara, com lâminas de círculos coloridos, e o de Farnsworth, que detecta alterações com maior sensibilidade.
Além da origem genética, a percepção de cores pode ser alterada ao longo da vida por doenças na retina, no nervo óptico, em áreas do cérebro ou pelo uso de medicamentos. O médico oftalmologista Lucas Viana explica que mudanças súbitas na visão cromática exigem procura imediata por um especialista para identificar a causa clínica.
Não existe cura para o daltonismo genético. Lentes e filtros especiais podem melhorar o contraste entre tonalidades e facilitar tarefas cotidianas, mas não corrigem a alteração de base nem restabelecem a percepção normal das cores.


