A defesa de Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Lula, afirmou nesta sexta-feira (4) que relatórios de inteligência da Polícia Federal (PF) corroboram suspeitas de irregularidades e direcionamento político nas investigações. O advogado Guilherme Suguimori declarou que as evidências devem resultar no arquivamento definitivo dos casos contra o filho do presidente.
Os documentos foram divulgados pelo ministro Alexandre de Moraes e serviram para incluir o ministro André Mendonça no inquérito das Fake News. Mendonça é acusado de conduzir irregularmente as investigações do caso Master e da Operação Sem Desconto. A medida ocorreu após Mendonça divulgar diálogos entre o banqueiro Daniel Vorcaro e Moraes.
A apuração indica que os relatórios de inteligência são apócrifos, não possuem cabeçalho e são definidos como documentos sem valor probatório. O conteúdo apresenta comentários que classificam a confiabilidade dos relatos como baixa ou moderada, indicando que não podem ser usados para imputar infração penal ou disciplinar.
No trecho referente a Fábio Luís, o relatório critica a própria equipe de investigação por produzir documentos com menções ao filho do presidente sem a existência de lastro para mantê-lo como investigado. A defesa argumenta que essa contaminação já era questionada anteriormente e agora foi confirmada pela estrutura da PF.
Lulinha tornou-se alvo após a PF identificar relação com o empresário Antônio Camilo Antunes, suspeito de liderar esquema de desvios. A polícia apurou que Antunes fez pagamentos à lobista Roberta Luchsinger, amiga de Fábio Luís, para intermediar negócios no governo federal.
O caso gerou atritos entre a PF e o gabinete de André Mendonça. O ministro suspeitou de blindagem ao filho do presidente após a ausência de providências concretas entre dezembro do ano passado e julho deste ano. A PF alegou que priorizava inquéritos com alvos presos para permitir denúncias do Ministério Público.
Houve ainda conflito sobre a abertura de três inquéritos por tráfico de influência, baseados em conversas no celular de Roberta Luchsinger sobre negócios no Ministério da Saúde e Dataprev. Os pedidos foram apresentados sem conexão direta com o gabinete de Mendonça, resultando na distribuição por sorteio no STF para André Mendonça e Flávio Dino.


