O depoimento de Daniel Vorcaro ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, ocorrido na última quinta-feira (27), causou irritação na Procuradoria-Geral da República (PGR) e dividiu a equipe de defesa do ex-dono do Banco Master. O ato foi agendado por um dos advogados, sem a participação dos demais membros da defesa.
O advogado Daniel Bialski solicitou o depoimento e assinou a petição sozinho. No momento em que Vorcaro falava com João Azambuja, juiz auxiliar de Mendonça, o banqueiro deveria depor à Polícia Federal (PF) sobre corrupção de servidores do Banco Central. A PF tentou realizar a oitiva por videoconferência, mas a Polícia Militar do Distrito Federal informou que havia uma falha técnica na chamada.
A PGR foi notificada sobre o depoimento apenas às 22h de quarta-feira, o que incomodou os procuradores. Um promotor de Justiça representou o órgão na sala e registrou em ata que informaria o teor do ato ao Procurador-Geral da República, Paulo Gonet. A defesa solicitou não receber cópia do vídeo para evitar que eventuais vazamentos fossem atribuídos aos advogados.
Durante a fala, Vorcaro afirmou ter sofrido ameaças para não incluir o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, em sua delação, além de maus-tratos no sistema prisional. Ele declarou que sua colaboração envolve pessoas do núcleo do atual governo e que pretendia relatar casos em que houve cruzamento de linhas de moralidade e ilicitude.
O banqueiro descreveu a relação com Andrei Rodrigues como cordial, mencionando eventos de charuto, convites para a Fórmula 1 e viagens com a família. Vorcaro afirmou que o diretor-geral estaria no contexto de sua delação, embora não tenha apresentado provas ou detalhado datas e destinos das viagens citadas.


