Deputados das federações Brasil da Esperança (PT-PCdoB-PV) e Psol-Rede enviaram, nesta quarta-feira (2), uma petição ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, solicitando o fim do sigilo nas investigações do caso “Dark Horse”, que apura suspeitas de corrupção envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
O líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), afirmou que o pedido se baseia nos princípios de isonomia e transparência. Segundo o parlamentar, a divulgação de conversas entre o ministro Alexandre de Moraes e o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, justifica que diálogos do senador Flávio Bolsonaro também se tornem públicos, especialmente por ele ser candidato à Presidência da República em pleito que ocorre em 30 dias.
No documento, as federações sustentam que a seletividade na divulgação dos dados pode interferir na disputa eleitoral e impede que a imprensa e os eleitores conheçam as provas do caso. A deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) defendeu a substituição do ministro André Mendonça na relatoria do processo, alegando que eventuais encontros com Vorcaro colocariam o magistrado sob suspeição.
A petição solicita que o Plenário do STF decida sobre o fim do sigilo e que a Procuradoria-Geral da República (PGR) seja notificada para apurar as reuniões de Mendonça com o empresário. Os parlamentares também pedem esclarecimentos sobre um agravo regimental que contesta a distribuição do caso ao relator e que está parado há mais de dois meses.
Em nota divulgada nesta quarta-feira (2), o gabinete de André Mendonça informou que o ministro recebeu Daniel Vorcaro uma única vez, em março de 2025, para tratar de créditos de precatórios do Banco Master. A defesa do magistrado afirmou que sua atuação jurisdicional foi contrária à posição defendida pelo empresário e que a conduta do ministro é pautada pela legalidade.
A investigação faz parte da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal em novembro de 2025 para apurar fraudes na venda de carteiras de crédito do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB). A assessoria de Flávio Bolsonaro não respondeu aos questionamentos sobre a petição até a última atualização da matéria.


