A possibilidade de novo aumento dos juros pelo Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, perdeu força nesta quinta-feira (3). Dois dirigentes da instituição sinalizaram que não há evidências suficientes para justificar um aperto monetário na reunião marcada para 16 de setembro, dependendo de novos dados de inflação e emprego.
O governador do Fed, Christopher Waller, afirmou em evento que os dados de inflação dos últimos dois meses apresentaram melhora. Ele declarou que estaria inclinado a defender a manutenção dos juros no nível atual caso a tendência se repita nos indicadores de agosto, que serão divulgados antes do encontro do banco central.
John Williams, presidente do Federal Reserve de Nova York e vice-presidente do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), adotou posição semelhante. Williams disse que não há sinais claros de que a política monetária esteja calibrada para garantir o retorno da inflação à meta, mas também não existem evidências definitivas que exijam um aperto adicional.
As declarações divergem do tom do presidente do Fed, Kevin Warsh, que indicou a necessidade de agir caso a inflação subjacente não converja para a meta com velocidade suficiente. Segundo Warsh, o banco central ainda terá trabalho a fazer se a confiança nesse processo não for estabelecida.
O mercado financeiro, que na quarta-feira (2) previa vantagem para a alta, passou a precificar a disputa como equilibrada entre a manutenção e o aumento da taxa. A decisão ocorre em um cenário de divisão interna, visto que três presidentes de bancos regionais do Fed discordaram da maioria na reunião de julho, defendendo a elevação dos juros.
O Federal Reserve tenta equilibrar o risco de manter a política restritiva por tempo excessivo, o que prejudicaria a atividade econômica e o emprego, contra o risco de reduzir o aperto prematuramente e permitir que a inflação retome força.


