A Europa Filmes decidiu deixar sem data de estreia a cinebiografia de Jair Bolsonaro, intitulada “Dark Horse”, enquanto avançam investigações sobre o financiamento da obra. A medida foi confirmada nesta sexta-feira (11) pelo diretor-geral da distribuidora, Wilson Feitosa, após a Polícia Federal cumprir mandados de busca e apreensão em operação contra a produtora.
A operação, autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), cumpriu 49 mandados de busca e apreensão na quinta-feira (10). Entre os alvos estão o deputado federal Mário Frias (PL-SP) e a empresária Karina Gama, da Go Up Entertainment, empresa responsável pela produção do longa.
A Polícia Federal apura a destinação de R$ 2 milhões em emendas enviadas por Frias, em 2024, ao Instituto Conhecer Brasil, presidido por Gama. Os repasses ocorreram em fevereiro e outubro de 2025. Os investigadores buscam verificar se parte desses recursos foi transferida para empresas ligadas ao filme. Frias negou irregularidades e classificou a ação como uma “cortina de fumaça”.
O financiamento de “Dark Horse” também é alvo de outra investigação sob relatoria do ministro André Mendonça, originada no caso Banco Master. Esse procedimento alcança o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que teria participado de negociações para captar recursos privados para a produção. Flávio Bolsonaro negou qualquer irregularidade.
Feitosa afirmou que a empresa prefere aguardar até que não haja risco de obstáculos jurídicos ou operacionais à exibição. Segundo o diretor, não seria responsável lançar o filme diante dos acontecimentos atuais. Ele informou que soube da operação da Polícia Federal apenas após a deflagração.
A distribuidora já demonstrava resistência em lançar a obra durante a campanha presidencial. Em julho, Feitosa havia declarado que não via vantagem estratégica em colocar a produção nos cinemas no período eleitoral, citando como referência a experiência do filme “Lula, o Filho do Brasil”, lançado em 2010.

