A dívida pública brasileira deve superar o tamanho da economia em 2034, segundo projeções de economistas coletadas pelo Banco Central (BC). A estimativa para a marca de 100% do Produto Interno Bruto (PIB) foi antecipada em um ano, já que a previsão anterior apontava para 2035.
Para o Fundo Monetário Internacional (FMI), o patamar de 100% do PIB será atingido ainda no próximo ano. A instituição calcula a dívida atual em 95,4%, valor superior aos 82,5% considerados nas projeções do mercado brasileiro. A divergência ocorre porque a metodologia do FMI inclui títulos do Tesouro na carteira do BC.
Em valores nominais, a dívida bruta, que beira R$ 11 trilhões, caminharia para R$ 15 trilhões nos próximos oito anos. O endividamento do governo federal corresponde a 96% desse total, enquanto estados e prefeituras respondem por 4%. Entre economias emergentes, a dívida média é de 78,9% do PIB, patamar 17,6 pontos percentuais abaixo do índice brasileiro.
O custo do endividamento é agravado pelos juros altos, já que 56,3% da dívida pública está indexada à taxa Selic. No ano passado, o pagamento de juros superou R$ 1 trilhão, o equivalente a 8% do PIB. Para estabilizar a trajetória da dívida, economistas preveem a necessidade de um superávit primário superior a 3% do PIB, o que exigiria uma sobra de aproximadamente R$ 400 bilhões nas contas públicas.
O economista Carlos Kawall, sócio-fundador da Oriz Partners, afirmou que a política fiscal continua insustentável e deveria ser mais austera. Segundo Kawall, a combinação de juros altos, menor crescimento e possível alta de juros nos Estados Unidos pode elevar o prêmio de risco. O economista-chefe da Asset 1, Luís Fernando Cezario, avalia que um ajuste estrutural de 3% do PIB distribuído em cinco anos poderia resgatar a credibilidade do mercado.
O cenário é impactado por gastos indexados em saúde, educação e Previdência, que exigem alteração constitucional para redução. Atualmente, o governo sinaliza a redução do limite de crescimento de gastos no arcabouço fiscal de 2,5% para 1,5% em eventual novo mandato, enquanto a campanha do senador Flávio Bolsonaro propõe reforma administrativa e fechamento de dez ministérios.


