O candidato ao governo do Rio pelo PL, Douglas Ruas, participou de uma sabatina de 1h30 nesta terça-feira (8), concedida a veículos de imprensa. Durante a entrevista, Ruas minimizou a perda de apoio de prefeitos e negou a existência de processos judiciais ou denúncias contra si, afirmações que foram posteriormente contestadas por apuração de fatos.
Sobre sua trajetória no serviço público, Ruas declarou ter zero processos e denúncias. No entanto, a Polícia Federal identificou o candidato em planilha ligada a grupo político do ex-presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, com suspeitas de caixa dois. O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) abriu procedimento envolvendo empresas de Ruas e conduz inquérito civil sobre suposta evolução patrimonial incompatível. Há ainda ação no Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) por possível conduta vedada em evento de pré-candidatura.
Questionado sobre a Mineração Santa Edwiges, Ruas afirmou não fazer parte da empresa e desconhecer seus sócios. Registros da Receita Federal indicam que a pedreira pertence a familiares de Altineu Côrtes, deputado federal. A apuração aponta que Ruas possui vínculos empresariais indiretos com a empresa, dividindo a titularidade de um terreno em São Gonçalo com um dos sócios da mineradora.
O candidato afirmou que 920 fuzis foram apreendidos no estado no ano passado e que nenhum era produzido no Brasil. Dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) confirmam a apreensão de 922 fuzis em 2025, mas não detalham a origem. Investigações da Polícia Federal revelaram a existência de fábricas clandestinas de armamento de grosso calibre em São Paulo e Minas Gerais que abastecem o crime organizado no Rio.
Sobre a Operação Contenção no Complexo do Alemão, Ruas disse que mais de 100 mortos empunharam fuzis e atiraram contra policiais. Não há confirmação oficial dessa versão. A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) apontou discrepâncias na missão, e documentos indicam que apenas 15 das 117 pessoas mortas eram alvos de mandados judiciais. O MPRJ informou que apenas cinco dos mortos estavam entre os alvos.
Ruas confirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou dispositivos do Programa de Pleno Pagamento da Dívida dos Estados (Propag), que foram posteriormente derrubados pelo Congresso Nacional. A medida foi considerada importante para a adesão do Rio de Janeiro ao programa.


