O início de setembro, mês de eleições no Brasil, intensifica a atenção do mercado financeiro sobre o futuro de empresas controladas pela União e por estados. Analistas avaliam que, embora a maior parte dos dividendos de estatais dependa de fundamentos econômicos, a influência política segue pesando nas definições estratégicas e nos conselhos de administração.
Na Petrobras, entre 70% e 80% do fluxo de dividendos ordinários responde a variáveis como produção, investimentos e preço do petróleo, segundo Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos. A fatia de 20% a 30% restante reflete a orientação política sobre o payout. A companhia anunciou em agosto a distribuição de R$ 17,4 bilhões em remuneração aos acionistas.
O Banco do Brasil reduziu, em maio, a estimativa de lucro líquido para 2026, fixando-a entre R$ 18 bilhões e R$ 22 bilhões. A redução decorre de métricas de risco e necessidade de preservar capital, com deterioração nos resultados do agronegócio e de carteiras de pessoas físicas. O payout, que era de 45% em 2024, caiu para 30% a partir de 2025.
A BB Seguridade deve distribuir 88% do lucro no primeiro semestre de 2026, totalizando R$ 3,85 bilhões. O risco central da companhia está na renovação do contrato de exclusividade de distribuição de produtos nas agências do Banco do Brasil, com vencimento em 2033. Alterações na originação de empréstimos do banco controlador afetam a venda de apólices da subsidiária.
No âmbito estadual, a Cemig é influenciada pela disputa ao governo de Minas Gerais. O governador Mateus Simões e o candidato Cleitinho Azevedo declararam ser contrários à privatização da elétrica. O estatuto da empresa impõe a distribuição mínima de 50% do lucro líquido, mas mudanças na gestão e aportes em investimentos podem impactar dividendos extraordinários.
Para minimizar riscos, especialistas recomendam a montagem de posições de maneira fracionada. Daniel Utsch, gestor da Nero Capital, orienta a análise do histórico de endividamento das companhias em vez de focar apenas no ganho acumulado recente, que pode mascarar a deterioração de caixa.


