Elon Musk, proprietário da SpaceX, controla cerca de dois terços dos satélites artificiais que orbitam a Terra. A constelação Starlink soma 10.985 equipamentos destinados ao sinal de internet em áreas remotas, conforme dados do Catálogo Geral de Objetos Espaciais Artificiais (GCAT), atualizados até 20 de agosto.
A SpaceX intensificou o ritmo de lançamentos nos últimos anos. A companhia realizou 62 missões em 2022, 98 em 2023, 138 em 2024 e 170 em 2025. Entre janeiro e agosto de 2026, foram mais 104 lançamentos. O intervalo médio entre as operações, que era de 30 dias em 2019, caiu para cerca de dois dias em 2025 e 2026.
A frota da Starlink é 17 vezes maior que a da OneWeb, que possui 632 satélites. A Amazon Leo, projeto da Amazon, opera 392 equipamentos. A China ocupa o segundo lugar global com 1.395 satélites, liderada pelas constelações da estatal China SatNet e da Shanghai Spacecom.
O modelo de negócio, chamado de Novo Espaço, substitui satélites caros e duradouros por constelações de equipamentos menores e de vida útil curta, com média de 2,2 anos na Starlink. Esse sistema permite que a perda de uma unidade seja compensada pelas demais.
Antonio Prado, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), afirma que a superpopulação da órbita baixa aumenta o risco de choques e a criação de detritos. O fenômeno, conhecido como síndrome de Kessler, pode gerar colisões em cadeia que tornariam órbitas inutilizáveis, forçando a Estação Espacial Internacional a realizar manobras evasivas.
O Brasil ocupa a 23ª posição no ranking, com 20 satélites vinculados a órgãos públicos, universidades ou empresas nacionais, representando 0,1% do total. A frota brasileira tem idade média de 11,5 anos e inclui parcerias com a China, como o programa CBERS, e lançamentos via SpaceX, a exemplo do Carcará 4, colocado em órbita em 2024.


