A embaixadora do Brasil nos Estados Unidos, Maria Luiza Ribeiro Viotti, continua exercendo suas funções em Washington um mês após o governo de Donald Trump revogar seu visto, no dia 4 de agosto. A diplomata reduziu a exposição pública, mas não foi declarada persona non grata, o que permite a permanência no território americano.
Segundo fontes do Itamaraty, a menor frequência de Viotti em eventos públicos ocorre devido à crise diplomática e ao período eleitoral brasileiro, momento em que diplomatas evitam aparições para não serem interpretados como participantes de campanha. A avaliação brasileira é que Washington não adotou novas medidas de pressão, embora não tenha revertido a restrição do visto.
A revogação foi aplicada pelo Departamento de Estado como ação de reciprocidade. Os EUA alegaram demora do Brasil em conceder o agrément — aval oficial — a Daniel Perez, indicado por Trump para a embaixada em Brasília, além da negativa de vistos a dois funcionários americanos. Viotti foi avisada em reunião que a medida ocorreria caso o aval a Perez não fosse concedido.
No âmbito diplomático, a situação é descrita como um compasso de espera. Há a percepção de que a deterioração da relação estancou após um telefonema entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump. Apesar do cenário mais positivo, persiste a cautela devido a sanções mantidas pelos EUA, como a aplicação de tarifas comerciais.
Daniel Perez prestou juramento no fim de agosto e aguarda o credenciamento brasileiro para viajar a Brasília. O Departamento de Estado informou que os procedimentos iniciaram no dia 25 de agosto. Diplomatas brasileiros acreditam que a decisão sobre o aval ocorra após as eleições de outubro e avaliam que Perez pode atuar como um mediador entre os governos.
Em entrevista ao canal Local 10, da Flórida, Perez afirmou que não pretende se envolver nas eleições brasileiras e que trabalhará com o líder vitorioso do pleito. O indicado reconheceu a existência de um impasse entre as duas nações e disse esperar reduzir a distância entre os governos ao assumir o posto.


