O rapper Emicida afirmou nesta terça-feira (1º) que as plataformas de apostas on-line funcionam como um dreno de dinheiro que prejudica a cultura brasileira. A declaração ocorreu durante reunião no Palácio do Planalto, em Brasília, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e representantes de setores da saúde, economia e defesa do consumidor.
Segundo o artista, as famílias estão direcionando recursos que seriam usados na compra de ingressos, discos e camisetas para as apostas. Emicida declarou que o setor deixa como legado o endividamento, o adoecimento e a tragédia. Ele relatou que produtores e artistas notam a mudança no perfil do público dos shows, com a presença de pessoas de maior poder aquisitivo enquanto o público tradicional enfrenta dificuldades financeiras.
O músico participou do encontro como representante do setor cultural e integrante do movimento Block no Tigrinho. Ele argumentou que a cultura hip-hop acompanha as condições de vida da população mais pobre e que os efeitos negativos das bets já atingem esse grupo. Por isso, defendeu que o governo adote uma estratégia mais ampla de combate ao setor.
As propostas do rapper incluem a retirada de recursos como o autoplay e o modo turbo dos aplicativos, que estimulariam o comportamento compulsivo. Emicida sugeriu a implementação de limites de idade e horário para o acesso às plataformas e afirmou que será necessário seguir em uma direção proibitiva em relação ao setor.
O presidente Lula informou que a reunião serviu para ouvir a sociedade brasileira antes de tomar decisões definitivas. O chefe do Executivo disse que pode convocar um novo encontro com integrantes do governo ainda nesta semana para discutir as medidas a serem adotadas. Representantes das casas de apostas não foram convidados para a reunião.
O encontro contou com a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin, da primeira-dama Janja Lula da Silva e de ministros da Casa Civil, Saúde, Esporte e Justiça. Também participaram lideranças da Confirmação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), da Confederação Nacional da Indústria (CNI), da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec).


