O empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, afirmou em delação premiada ter sido responsável por remessas financeiras e pela obtenção de dinheiro vivo para Daniel Vorcaro, do Banco Master. O material, fechado com a Procuradoria-Geral da República (PGR) em agosto, detalha a entrega de valores em malas e transferências para os Estados Unidos.
Entre as movimentações citadas estão recursos destinados ao Havengate Development Fund, fundo sediado nos Estados Unidos e administrado pelo advogado Paulo Calixto. O montante seria destinado ao financiamento de “Dark Horse”, filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Autoridades investigam se parte desses valores foi direcionada ao deputado Eduardo Bolsonaro.
Freixo Júnior relatou que Vorcaro solicitava operações “não ortodoxas”, como remessas sem lastro e a captação de dinheiro em espécie. Para isso, o empresário utilizava outros operadores que cobravam 4% para disponibilizar as notas, que eram então entregues ao ex-banqueiro em malas. O colaborador afirmou não saber a destinação final dos recursos.
A Polícia Federal já havia identificado que a Entre Investimentos e Participações, empresa de Freixo Júnior, atuava como braço operacional de Vorcaro no repasse de valores. A investigação busca agora determinar em quais momentos o ex-banqueiro demandou dinheiro vivo para a prática de supostas atividades ilícitas.
O acordo de colaboração foi encaminhado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), para validação, mas ainda não houve decisão. Esta é a segunda delação fechada pela PGR no caso do Banco Master; a primeira foi firmada com João Carlos Mansur, ex-dono da gestora de fundos Reag.
A defesa de Daniel Vorcaro informou que desconhece o tema e não teve acesso à proposta. A defesa de Antônio Carlos Freixo Júnior não se manifestou.


