O setor privado organiza a divulgação de um novo manifesto para cobrar que o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, adote um código de conduta para os magistrados. A mobilização, coordenada via WhatsApp, surge após a Polícia Federal revelar conversas entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.
Durante o Fórum Negócios Brasil, realizado nesta semana em São Paulo, o presidente do conselho do Grupo Petz Cobasi, Sergio Zimerman, criticou a crise na Corte. O empresário afirmou que a população deve ir às ruas caso as investigações envolvendo Moraes e Vorcaro não resultem em punições. Zimerman classificou como “estarrecedores” os fatos tornados públicos pela PF e criticou o pedido da Procuradoria-Geral da República para anular o relatório policial.
A apuração indica que a nova carta à sociedade busca cobrar a liderança do STF por normas de decoro. Um empresário que preferiu não se identificar afirmou que a desconfiança sobre a postura de ministros cria um ambiente de descrédito da instituição, o que afeta a credibilidade do país e afasta investimentos devido à insegurança jurídica.
Em dezembro passado, um documento similar reuniu 200 assinaturas de economistas, empresários e acadêmicos. O grupo, que incluiu Arminio Fraga, ex-presidente do Banco Central, e Antonio Luiz Seabra, fundador da Natura, pedia transparência sobre os limites éticos dos magistrados para preservar a autoridade moral do Judiciário.
Aquelas mobilizações anteriores ocorreram após a divulgação de que o ministro Dias Toffoli viajou ao Peru em jato particular com um advogado do caso Master, processo sob supervisão do magistrado. Outra revelação apontou que o Banco Master contratou o escritório de Viviane Barsi, esposa de Alexandre de Moraes, por R$ 3,6 milhões mensais, totalizando R$ 130 milhões.


