Empresas de médio e grande porte estão incorporando revisões contínuas de previsão financeira, o chamado rolling forecast, ao planejamento orçamentário anual. A mudança é impulsionada por instabilidades cambiais, disputas comerciais, rupturas em cadeias de suprimentos e a implementação de inteligência artificial nos processos corporativos.
Um levantamento da Association for Financial Professionals indica que 96% dos profissionais de FP&A (planejamento e análise financeira) ainda utilizam planilhas para o orçamento, com 93% fazendo uso diário ou semanal. Paralelamente, estudo da McKinsey & Company identificou que a satisfação de diretores financeiros está ligada ao uso de previsões atualizadas conforme as condições de mercado.
A consultoria PLANERGY define o rolling forecast como um mecanismo de atualização constante de projeções conforme surgem novos dados, o que amplia a flexibilidade diante de oscilações de mercado e demandas inesperadas. Rodolfo Farias, gestor de produtos da Movtech, afirma que o orçamento anual fechado já não acompanha a velocidade dos negócios e que planejar apenas uma vez por ano tornou-se um risco.
No Brasil, a transição da Reforma Tributária eleva a complexidade do planejamento. Segundo Vanderlei Schmitz, gerente comercial da Movtech, a implementação da CBS e do IBS envolve um período longo de mudanças em regras, alíquotas e notas técnicas do governo. Tais alterações impactam as premissas de custo e preço das operações.
Schmitz explica que empresas dependentes de ciclos anuais de revisão tendem a identificar impactos tributários tardiamente. Para o executivo, a capacidade de ajustar projeções com velocidade tornou-se uma condição de sobrevivência frente à incerteza tributária, evitando a necessidade de forças-tarefa de emergência ao final do ano.
Nesse cenário, ferramentas de FP&A ganham espaço sobre planilhas eletrônicas. A Movtech desenvolveu o Movtech Budget, que permite a criação de orçamentos anuais concomitantes a diferentes cenários financeiros e revisões mensais do rolling forecast. O sistema visa analisar o efeito de novas regras tributárias sobre margens e custos.
Farias resume que a nova mentalidade permite que o cliente mantenha o planejamento alinhado aos acontecimentos atuais, e não a projeções feitas seis meses anteriormente.


