Um número recorde de empresas americanas emitiu títulos de dívida na Europa nesta quarta-feira (9), buscando liquidez e condições mais favoráveis. A movimentação ocorre enquanto o mercado doméstico dos Estados Unidos sofre pressão devido ao volume de endividamento para financiar investimentos em inteligência artificial.
A Amazon concluiu a emissão de seu primeiro título em libras esterlinas, levantando £ 4,25 bilhões (US$ 5,8 bilhões). No mesmo dia, a Uber finalizou sua estreia no mercado de dívida em euros. Outras quatro companhias americanas também realizaram operações, totalizando o maior volume de emissores dos EUA em um único dia na Europa, segundo apuração de agências internacionais.
A busca por fontes alternativas de financiamento, incluindo bancos, é motivada pelo impacto das chamadas hyperscalers — gigantes de tecnologia com operações de nuvem — no maior mercado de títulos do mundo. A avalanche de emissões dessas companhias reduziu o espaço para outros emissores e contribuiu para a alta dos rendimentos dos Treasuries.
Em 2026, empresas americanas já emitiram € 149 bilhões (US$ 173 bilhões) em títulos na Europa. Juan Valencia, estrategista de crédito do Société Générale, afirmou que as companhias estão buscando financiamento onde ele esteja disponível, sendo o mercado em euros a melhor alternativa ao dólar no momento.
Para multinacionais com receitas na Europa, o custo de dívidas em euros permanece menor do que em dólares para empresas com grau de investimento. No entanto, cálculos indicam que a conversão de euros para dólares via hedge cambial tem custado quase o mesmo que a emissão direta na moeda americana nas últimas semanas.
A Amazon, que prevê investir US$ 220 bilhões em 2026, já havia suprido suas necessidades em dólares com uma emissão de US$ 25 bilhões em julho. Analistas da CreditSights, liderados por Jordan Chalfin, informaram em relatório que as pressões técnicas no mercado em dólar exigem prêmios elevados aos investidores, tornando o financiamento mais caro.
Marco Stoeckle, chefe de estratégia de crédito do Commerzbank, afirmou que a construção da infraestrutura de IA e a antecipação de captações antes das eleições francesas devem ter impacto relevante no mercado. Empresas também buscam reduzir a exposição à volatilidade política nos Estados Unidos.


