A transição para o novo sistema de tributação do consumo está levando empresas brasileiras a revisarem preços, margens e a localização de operações logísticas. Segundo pesquisa da consultoria Deloitte, apresentada nesta terça-feira (1º), 89% das organizações ouvidas já realizaram estudos aprofundados sobre os impactos da reforma em seus negócios.
O levantamento indica que a mudança deixou de ser restrita às áreas financeira e jurídica para envolver a estrutura operacional. Cerca de 60% das empresas apontam a convivência simultânea entre os sistemas antigo e novo durante a transição como a principal preocupação. Entre as companhias que recebem incentivos fiscais, 57% consideram rever a localização geográfica ou ajustar a cadeia de suprimentos.
Caroline Verginelli, sócia da Consultoria Tributária da Deloitte, afirmou que a implementação exige a participação de departamentos que vão do comercial à tecnologia. A especialista explicou que o fim gradual de incentivos fiscais pode levar as empresas a redesenhar malhas logísticas e reconsiderar investimentos. No setor comercial, o desafio está no recálculo de preços e margens.
A formação de preços pode ser o ponto de impacto mais rápido para o consumidor. De acordo com a pesquisa, 51% das empresas projetam aumento da carga tributária, enquanto 19% esperam efeito neutro e 16% calculam redução. O advogado Daniel Loria, sócio do Loria Advogados, alertou que cálculos excessivamente conservadores podem provocar aumentos artificiais de preços e risco inflacionário.
Outro ponto crítico é o capital de giro. Com a migração do PIS e da Cofins para a CBS, as empresas dependem da velocidade de liberação de créditos antigos via sistema da Receita Federal. Luiz Rezende, sócio líder da Deloitte, exemplificou que uma demora na compensação pode dobrar a necessidade de retirada de recursos do caixa para pagamento de tributos, pressionando companhias já endividadas.
A tecnologia tornou-se pilar central do processo, com 72% das empresas aumentando investimentos na área no último ano. O estudo revela que 36% já utilizam inteligência artificial em operações tributárias. No entanto, nove em cada 10 organizações relataram dificuldades para contratar profissionais qualificados para operar os novos sistemas e interpretar a legislação.


