A capacidade instalada de energia solar na China superou, pela primeira vez, a de energia gerada por carvão no fim de julho, somando 1,286 bilhão de quilowatts. O dado foi divulgado pela Administração Nacional de Energia (NEA), que registrou 1,285 bilhão de quilowatts para as usinas a carvão no mesmo período.
No primeiro semestre deste ano, a participação do carvão mineral na geração elétrica caiu para 49,7%, ficando abaixo de 50% pela primeira vez. As fontes renováveis alcançaram 41,2% da geração, com as energias solar e eólica respondendo por 24,6%, segundo o pesquisador José Renato Peneluppi Jr., da Universidade de Ciência e Tecnologia de Huazhong.
O grupo CHN Energy, um dos maiores investidores em projetos integrados de energia limpa, reportou que sua capacidade total instalada chegou a 400 GW em junho, com renováveis representando mais de 41%. Xin Renye, gerente da divisão de assuntos gerais do Departamento de Gestão da Indústria de Energia Elétrica da empresa, informou que a companhia opera parques eólicos e solares no norte, nordeste e noroeste, além de complexos hidrelétricos no sudoeste e energia eólica offshore.
A China detém quase um terço do investimento global em energia, volume equivalente à soma dos aportes dos Estados Unidos e da União Europeia, afirma Maria Haro Sly, pesquisadora do Arrighi Center for Global Studies da Universidade John Hopkins. O país também domina a cadeia de minerais críticos: em 2024, respondeu por 60% da mineração de terras-raras para ímãs, 91% do refino e 94% da fabricação de ímãs permanentes.
O avanço é atribuído à coordenação entre Estado, mercado e ciência por meio de planos quinquenais. O governo chinês criou demanda, financiou pesquisa e desenvolvimento e estimulou a escala industrial. O país, que é o maior emissor mundial de gases de efeito estufa, tem a meta de atingir o pico de emissões de carbono até 2030 e a neutralidade climática até 2060.
Para Peneluppi Jr., a lição para países como o Brasil é tratar a energia como política industrial e não apenas como commodity. O Brasil possui a segunda maior reserva de terras-raras do mundo, mas detém apenas 1% da produção global, dependendo de tecnologias e equipamentos estrangeiros, o que limita a apropriação de valor na cadeia produtiva.


