O aumento da longevidade e a transição demográfica no Brasil estão deslocando o foco do consumo de saúde do tratamento de doenças para a prevenção. Com a expectativa de vida ao nascer atingindo 76,6 anos em 2024, o mercado de bem-estar deve saltar de US$ 91,3 bilhões, em 2025, para US$ 222,4 bilhões até 2034.
A proporção de brasileiros com 60 anos ou mais quase dobrou entre 2000 e 2024, passando de 8,7% para 15,6% da população, o que representa 33 milhões de pessoas, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As projeções do órgão indicam que o crescimento populacional cessará em 2041 e que, até 2070, 37,8% dos habitantes terão 60 anos ou mais, totalizando 75,3 milhões de indivíduos.
Esse cenário impulsiona segmentos específicos da economia. O setor de suplementos alimentares, por exemplo, cresceu 18% ao ano entre 2020 e 2026, atingindo um faturamento de R$ 22 bilhões. O resultado coloca o Brasil na terceira posição global em expansão de demanda por esses produtos.
A mudança de lógica reflete a busca por exames preventivos, acompanhamento contínuo e suplementação. Odirlei Schuster, presidente da Gfi Hub, grupo que detém a marca de distribuição First, afirmou que a busca por saúde deixou de ser uma reação à doença e passou a integrar a rotina de consumo das famílias.
O perfil demográfico deve continuar pressionando a demanda por serviços de nutrição e acompanhamento médico. Projeções indicam que a população com mais de 60 anos deve dobrar até 2040, chegando a 57 milhões de pessoas.
Segundo Schuster, o aumento da longevidade cria uma demanda constante por prevenção que acompanha o indivíduo por mais tempo. O envelhecimento populacional, antes visto como desafio para a saúde pública e previdência, consolida-se agora como um dos principais vetores de consumo para a próxima década.


