Líderes das áreas de agricultura, clima e desenvolvimento defenderam, nesta quarta-feira (2), em Kigali, na Ruanda, que a transformação da economia africana depende da centralidade do setor agrícola e do apoio aos pequenos produtores. O debate ocorreu durante o evento TIME Impact Dinner, onde se discutiu a necessidade de integrar sistemas alimentares.
Um relatório divulgado nesta semana pela AGRA, instituição focada em inovações agrícolas, indica que a produção nas fazendas da África dobrou nos últimos 20 anos. Apesar do avanço, Ismahane Elouafi, diretora executiva da rede de pesquisa CGIAR, afirmou que os ganhos foram fragmentados. Para a executiva, a produtividade aumentou, mas a falta de sistemas de irrigação e água impede que o sistema alimentar funcione como um todo.
Kingsley Moghalu, fundador da Academia IGET, disse que muitos países africanos tratam a agricultura como uma área de nicho, o que ignora 80% do seu potencial. Dados do Fórum Econômico Mundial mostram que o setor contribui com 20% do Produto Interno Bruto (PIB) do continente e emprega mais de 60% da força de trabalho.
A população em crescimento deve representar 25% da mão de obra global até 2050. Moghalu afirmou que isso representa uma oportunidade de crescimento, desde que a força de trabalho seja qualificada para os sistemas agroalimentares. Temiyeoluwa Alabi, da ThriveAgric, reforçou que a prosperidade depende de o pequeno agricultor ser visto como entidade central na cadeia de valor.
O uso de inteligência artificial e análise de dados foi citado por Elouafi como caminho para superar a carência de infraestrutura e encurtar a cadeia de valor. No entanto, a ativista climática Elizabeth Wathuti, fundadora da Green Generation Initiative, alertou que a tecnologia deve se adaptar à realidade do campo, e não o contrário.
Wathuti defendeu que o sucesso do setor não seja medido apenas pelo rendimento da colheita. Ela afirmou que é preciso garantir a segurança e a lucratividade dos produtores, especialmente naqueles que atuam em áreas com solo degradado e enfrentam as mudanças climáticas.


