A um mês do primeiro turno das eleições, especialistas do mercado financeiro divergem sobre a conveniência de realizar aportes agora ou aguardar o desfecho do pleito. Enquanto dados estatísticos sugerem estabilidade na volatilidade, gestores alertam para a reprecificação de ativos conforme novas pesquisas eleitorais alteram as expectativas fiscais.
Um levantamento do UBS comparou a volatilidade trimestral anualizada da Bolsa, do câmbio e da renda fixa em anos eleitorais com a média histórica e não encontrou padrão consistente de estresse. No Ibovespa, a volatilidade média no primeiro trimestre de anos de eleição foi de 19%, contra 23% da média histórica. No terceiro trimestre, o índice foi de 20%, enquanto a média geral é de 21%.
Leonardo Mendes, consultor da Manchester Investimentos, afirma que a volatilidade não aumenta necessariamente, mas ocorrem mais mudanças direcionais nos preços. Pedro Carneiro, gestor da Asset1, explica que pesquisas em setembro e outubro alteram a probabilidade atribuída ao regime fiscal, elevando o risco de movimentos bruscos. Já Renato Nobile, CEO da Buena Vista Capital, discorda da narrativa de estabilidade, citando a sequência de 12 quedas e 11 altas consecutivas do Ibovespa encerrada nesta quinta-feira (3).
Para mitigar riscos, Carneiro sugere focar em ações com fluxo de caixa previsível e limitar a exposição a empresas estatais a 10% da carteira de ações. Ele recomenda dividir a entrada em três aportes até novembro. A Nomos Research propõe a montagem de duas carteiras distintas: uma voltada para a vitória do presidente Lula, com foco em exportadoras como Suzano e WEG, e outra para a vitória do senador Flávio Bolsonaro, priorizando estatais como Petrobras e Banco do Brasil.
Na renda fixa, há consenso sobre o espaço para títulos prefixados, impulsionados por projeções de queda da Selic, que deve fechar o ano em 13,75% e chegar a 12% em 2027. As recomendações variam de perfis agressivos, com 30% em prefixados, a defensivos, como o de Jeff Patzlaff, que sugere 70% em Tesouro Selic para evitar a tentativa de acertar o pico do título agora.
No crédito privado, a orientação é de rigor nos critérios. Mendes aponta o aumento de recuperações judiciais de empresas com dificuldade de refinanciamento. Robson Casagrande, sócio da GT Capital, recomenda evitar empresas alavancadas e ligadas ao consumo discricionário, citando a deterioração de papéis high yield e cotas subordinadas de fundos de investimento em direitos creditórios.


