Deputados do PT, PCdoB, Psol e Rede acionaram, nesta quarta-feira (2), o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, para solicitar a derrubada do sigilo das investigações do caso Dark Horse, que envolve o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e questionar a suspeição do ministro André Mendonça.
A petição questiona o tratamento dado por Mendonça às apurações relacionadas ao Banco Master. Os parlamentares argumentam que o ministro retirou o sigilo de procedimentos que envolveram o senador Jaques Wagner (PT-BA) e o ministro Alexandre de Moraes, enquanto as investigações sobre Flávio Bolsonaro permanecem reservadas.
O grupo defende que a existência de critérios opostos de publicidade sob a mesma relatoria exige fundamentação objetiva e uniforme. O pedido solicita que o critério aplicado ao senador do PT e ao ministro da Corte seja estendido ao candidato do PL.
Os parlamentares citam um suposto encontro reservado entre Mendonça e Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, em março de 2025, época em que a instituição enfrentava dificuldades perante o Banco Central. No documento, o episódio é tratado como linha de apuração, sem afirmação de que o ministro tenha agido para favorecer ou prejudicar qualquer parte.
As petições tratam de aportes de Vorcaro ao projeto Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. O texto menciona a negociação de R$ 134 milhões, com ao menos R$ 61 milhões pagos entre fevereiro e maio de 2025. Flávio Bolsonaro confirmou a solicitação de recursos, mas negou irregularidades.
A representação cita ainda um repasse de US$ 1,66 milhão identificado pelo Coaf em setembro de 2025. Segundo os deputados, esse valor elevaria para cerca de US$ 12,3 milhões o total destinado por Vorcaro ao projeto. O grupo pede que Fachin leve a discussão ao plenário e encaminhe o caso à Procuradoria-Geral da República.
A movimentação ocorre enquanto a oposição pressiona o STF por revelações envolvendo Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro. Integrantes do PL cobram o impeachment e a renúncia de Moraes, além do afastamento do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.


