O sistema de bondes de Santa Teresa completa 130 anos nesta terça-feira (1º) com a previsão de compra de dez novos veículos pelo governo do Estado para 2027. A medida, anunciada pela Secretaria de Estado de Transporte e Mobilidade Urbana (Setram), visa ampliar a oferta e reduzir o intervalo entre as viagens.
A modernização ocorre paralelamente à reabertura do Ramal Silvestre, que voltou a transportar passageiros em 11 de junho após mais de duas décadas fora de operação. Segundo a Setram, a recuperação do trecho contemplou 5,84 quilômetros, com a instalação de 667 toneladas de novos trilhos, obras de drenagem, 27,8 mil metros quadrados de pavimentação e a requalificação de quase seis quilômetros da rede elétrica aérea.
A intervenção também incluiu a retomada do Ramal Paula Mattos. De acordo com a secretaria, as melhorias criam condições para uma futura integração dos bondes com o Trem do Corcovado, com a estimativa de que a modernização beneficie mais de 40 mil pessoas.
O serviço de transporte sobre trilhos chegou ao bairro em 1872, mas foi em 1º de setembro de 1896 que os Arcos da Lapa passaram a ser utilizados como viaduto para a circulação dos veículos de ferro. A estrutura, originalmente construída para o abastecimento de água, integrou a ligação entre Santa Teresa e a região central do Rio.
Moradores relatam que o sistema é essencial tanto para a locomoção quanto para o turismo. Uma moradora de 64 anos, residente no bairro desde 1970, recorda-se de usar o transporte na infância para ir à escola e cita o impacto do acidente ocorrido em 27 de agosto de 2011, que interrompeu a circulação e gerou mobilizações populares pela recuperação do serviço.
A publicitária Raíssa Baytack, de 33 anos e moradora da região desde 2012, define o veículo como um dos símbolos de Santa Teresa. Para a comunidade, a expansão da frota prevista para 2027 deve ser acompanhada por horários de funcionamento mais amplos para atender quem trabalha fora do bairro.


