Os Estados Unidos e o Irã intensificaram ataques militares de retaliação mútua nesta semana, consolidando um impasse após seis meses de conflito. A Casa Branca enfrenta dificuldades para encerrar as hostilidades, que oscilam entre um cessar-fogo e a possibilidade de uma guerra total, sem que haja saída diplomática imediata.
A última sequência de ataques incluiu ações iranianas contra navios mercantes, respondidas pelos EUA com bombardeios a instalações da Guarda Revolucionária Islâmica no Estreito de Ormuz. Em contrapartida, Teerã lançou mísseis e drones contra bases americanas na Jordânia, no Kuwait e no Bahrein. O governo iraniano informou que 18 pessoas morreram nos ataques dos EUA na última terça-feira.
A Sociedade do Crescente Vermelho do Irã relatou que um ataque contra uma cerimônia de casamento na cidade de Sirik deixou ao menos quatro mortos e 67 feridos. O governo de Teerã prometeu punir Washington pela ação. No campo econômico, a moeda local ultrapassou 2,2 milhões de riais por dólar, tendo perdido metade do valor em um ano devido às sanções e ao conflito.
O petróleo Brent avançou mais de 6% nesta semana, atingindo US$ 95 por barril, enquanto o diesel nos Estados Unidos chegou ao maior nível em quatro anos. O cenário aumenta a pressão sobre o presidente Donald Trump, que enfrenta eleições legislativas de meio de mandato em dois meses. O memorando de entendimento assinado em junho expirou sem avanços para um acordo de paz permanente.
O secretário do Tesouro, Scott Bessent, anunciou um novo plano de pressão econômica para complementar o bloqueio naval aos portos iranianos. A medida elevou a inflação no Irã para cerca de 80%. Segundo Bessent, o esforço para sufocar a economia de Teerã torna improvável a retomada de combates em larga escala, embora a liderança iraniana acredite conseguir suportar a pressão com apoio de parceiros como China, Paquistão e Turquia.
O deputado republicano Pat Harrigan, da Comissão de Serviços Armados da Câmara, afirmou que os Estados Unidos estão militarmente empacados. Para o parlamentar, é irresponsável manter uma guerra limitada na esperança de alcançar objetivos ilimitados. Jon Alterman, do Center for Strategic and International Studies, disse que nenhum dos lados possui uma estratégia de vitória bem definida, já que a sobrevivência é a meta de Teerã e a abertura do Estreito de Ormuz é a prioridade de Washington.


