Os Estados Unidos completam, nesta sexta-feira (11), 25 anos dos atentados de 11 de setembro com homenagens em Nova York e a oficialização da data como Dia de Memória e Serviço. Apesar da ausência de ataques de dimensão comparável desde 2001, especialistas alertam que as ameaças mudaram de perfil e a estrutura de segurança enfrenta redução de recursos.
O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, assinou ordem executiva para instituir o Dia de Memória e Serviço. A programação inclui uma instalação no Bryant Park com 2.753 cadeiras voltadas para a região das antigas Torres Gêmeas, em referência às vítimas. Uma cerimônia privada também será realizada na sede do 9/11 Memorial, no local do antigo World Trade Center.
Profissionais de inteligência e contraterrorismo afirmam que a estrutura criada após 2001 sofre com a perda de pessoal experiente e a dispersão de prioridades. Don Rassler, diretor de iniciativas estratégicas do Combating Terrorism Center de West Point, advertiu que a comunidade de inteligência corre o risco de repetir falhas ocorridas antes de 2001, como a negligência de alertas e a falta de compartilhamento de informações entre FBI e CIA.
A ameaça terrorista evoluiu do modelo de grandes organizações para o de “lobos solitários”, indivíduos ou células com pouco contato operacional com grupos como a Al-Qaeda e o Estado Islâmico. Um relatório das Nações Unidas de agosto indicou que a liderança central da Al-Qaeda permanece marginalizada, com capacidade incerta para operações externas. Entre 1994 e o início de 2025, foram registrados 140 ataques e planos jihadistas nos EUA, segundo o Center for Strategic and International Studies (CSIS).
A atual administração de Donald Trump incluiu a classificação de cartéis mexicanos como organizações terroristas estrangeiras em sua estratégia, o que gera críticas sobre a possível dispersão de recursos destinados ao combate ao terrorismo jihadista. Paralelamente, a competição geopolítica com China e Rússia, iniciada em 2018, passou a ocupar espaço central na estratégia de segurança norte-americana.
A preservação da memória dos ataques também enfrenta controvérsias. Uma pesquisa da J.L. Partners de 2023 revelou que 31% dos jovens entre 14 e 29 anos consideravam as ideias de Osama bin Laden como uma “força para o bem”. Em Nova York, o prefeito Mamdani é alvo de resistência de familiares de vítimas, com uma petição que reuniu quase 100 mil assinaturas para impedir sua participação nas cerimônias.

