A estudante de Publicidade em Brasília, Maria Clara Martins, de 21 anos, criou a PinkSafe, uma startup que funciona como um ecossistema de proteção para mulheres. O negócio integra a venda de produtos de segurança ao suporte emocional especializado e jurídico, tendo sido desenvolvido com apoio da Incubadora do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP).
A empresa comercializa itens de defesa, como o spray de pimenta — após a regulamentação do uso por civis no Brasil — e objetos com design estratégico, como pentes e chaves que escondem recursos de segurança. Segundo a fundadora, a mudança na lei sobre o spray de pimenta motivou a busca de clientes por outros produtos de proteção.
A advogada criminalista Alexandra Menezes afirma que dispositivos de defesa exigem cuidado, pois em situações reais de violência há diferença de força física e estresse. Menezes alerta que o instrumento pode ser tomado e usado pelo agressor contra a vítima, embora considere benéfica a integração de recursos de segurança a objetos cotidianos para favorecer a prontidão.
Para atender mulheres que passaram por abusos, a PinkSafe estabeleceu parcerias com psicólogas para acolhimento. A marca planeja lançar um aplicativo que incluirá mapas com a localização de Delegacias da Mulher e centros de defesa pessoal, além de notícias sobre política e economia voltadas ao público feminino.
A plataforma contará com assistente virtual para primeiros atendimentos e agendamento de consultas com advogadas e psicólogas. Maria Clara relatou que o processo de incubação no IDP e a participação no Selfie Lab, laboratório de branding pessoal, foram essenciais para a viabilização do plano empresarial.
O especialista em empreendedorismo Rafic Júnior disse que o diferencial da startup é a construção de um ecossistema, o que gera relação e fidelização em vez de apenas transações comerciais. Para Júnior, a execução precoce do projeto foi fundamental para o sucesso da estudante no mercado.
Sobre a atuação de redes privadas, Alexandra Menezes pontuou que a responsabilidade constitucional pela segurança pública é do Estado. A advogada defende que comunidades de apoio devem servir como instrumentos complementares de prevenção, sem atuar como mecanismos de vigilância paralela.


