O ex-procurador-geral da República Claudio Lemos Fonteles defendeu, nesta quinta-feira (3), que o atual chefe do Ministério Público, Paulo Gonet, se afaste do comando das investigações sobre fraudes bilionárias no Banco Master. A manifestação ocorre após a divulgação de relatório da Polícia Federal que cita diálogos entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o PGR.
Segundo a apuração, o advogado Ciro Soares, ex-defensor da instituição financeira, teria intermediado contatos entre Vorcaro e Gonet. Em março de 2025, Soares teria atuado para que Pedro Gonet, filho do procurador-geral, fosse incluído em uma viagem para Londres custeada pelo banco para participar de um evento.
O relatório da Polícia Federal indica que, no mesmo mês, o advogado enviou ao banqueiro uma foto ao lado de Paulo Gonet, informando que estava com ele. Na sequência, houve troca de ligações entre as partes. O procurador-geral da República ainda não se manifestou sobre as informações.
Fonteles, que chefiou o órgão entre 2003 e 2005, afirmou que a viagem do filho é o ponto mais delicado, embora não configure necessariamente um ilícito criminal. Para o ex-PGR, a saída de Gonet das investigações seria uma garantia para o próprio gestor. Ele disse que o correto seria transferir o caso para o vice-procurador-geral, Hindenburgo Chateaubriand Filho.
O conteúdo do relatório teve o sigilo retirado na terça-feira (1) pelo ministro André Mendonça, relator dos inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF). O documento também detalha interações entre Daniel Vorcaro, o ministro Alexandre de Moraes e pessoas ligadas à família do magistrado.


