Exames de sangue capazes de identificar alterações biológicas associadas à doença de Alzheimer já estão disponíveis no Brasil para pacientes da rede particular. Os testes, que custam entre R$ 1.800 e R$ 5.000, são indicados para pessoas com sinais de comprometimento cognitivo e não para o rastreamento de indivíduos sem sintomas.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informa que possui 30 produtos regularizados para detectar biomarcadores do Alzheimer, incluindo análises de sangue, plasma e líquor. O diagnóstico continua sendo prioritariamente clínico, baseado em consultas e testes cognitivos, sendo o exame de sangue uma ferramenta complementar para confirmar a relação dos sintomas com a doença.
O neurologista Fábio Henrique Porto, presidente da Associação Brasileira de Alzheimer (Abraz) em São Paulo, explica que a alternativa sanguínea é menos invasiva e exige menos infraestrutura que a punção lombar para coleta de líquor, que custa de R$ 2.000 a R$ 3.000, ou o PET amiloide, que pode chegar a R$ 12 mil.
Laboratórios como Fleury, Richet e Dasa já oferecem os testes. No Fleury, o exame Precivity AD2 custa cerca de R$ 4.400, com amostra coletada no Brasil e analisada nos Estados Unidos. No Richet, o valor é de R$ 1.800, enquanto na Rede Dasa os preços variam de R$ 841 a R$ 4.500.
Segundo o geriatra Leonardo Oliva, presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), os principais marcadores são a beta-amiloide e a proteína tau, sendo a p-tau217 a mais precisa atualmente. O neurocientista Eduardo Zimmer, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), afirma que a precisão do diagnóstico sobe de 75% para 91% quando a avaliação clínica é combinada com biomarcadores.
A detecção precoce permite iniciar tratamentos e mudanças de estilo de vida mais cedo. A Anvisa já aprovou medicamentos como lecanemabe (Leqembi) e donanemabe (Kisunla) para fases iniciais da doença, porém ambos não têm cobertura por planos de saúde nem estão disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS).


