As exportações totais de carne bovina brasileira somaram 233 toneladas em agosto, volume 22% menor do que o registrado no mesmo mês de 2025. A queda é reflexo de barreiras comerciais impostas pela China, que limitou as importações para proteger produtores locais, segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC).
Em termos financeiros, a receita total apresentou recuo de 15% na comparação anual. O levantamento da ABIEC utiliza dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços para fundamentar a análise.
A China estabeleceu no ano passado uma cota de 1,1 milhão de toneladas com alíquota de 12%. Acima desse volume, aplica-se uma sobretaxa de 55%. Como o Brasil já atingiu esse limite, o envio de carne com a taxa extra tornou-se inviável para os pecuaristas.
O impacto no mercado chinês foi severo: o país recebeu 19 mil toneladas de carne bovina brasileira em agosto, queda de 88,2% em relação ao ano anterior. A receita proveniente desse destino foi de US$ 100 milhões, recuo de 88,6%.
Roberto Perosa, presidente da ABIEC, afirmou que o movimento era esperado pelo setor devido à antecipação de embarques no primeiro semestre. Segundo Perosa, o desafio atual é ampliar a presença brasileira em outros mercados.
Para compensar a perda no maior comprador do país, pecuaristas buscam novos destinos ou reforçam parcerias existentes. As exportações para os Estados Unidos, por exemplo, registraram alta de 276% em agosto comparado ao mesmo período de 2025.


