As exportações brasileiras de carne bovina recuaram 27,1% em volume em agosto, na comparação com o mesmo período do ano passado. Os dados da balança comercial, divulgados nesta sexta-feira (4) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), indicam também uma redução de 19,7% no valor exportado.
O faturamento do setor foi de US$ 1,2 bilhão em agosto de 2026, contra US$ 1,5 bilhão no ano anterior. Apesar da queda mensal, o acumulado do ano registra alta de 4,7% no volume de carne resfriada e congelada e crescimento de 22,3% no valor comercializado.
A retração reflete o limite da cota de compras externas da China, que restringe a 1,1 milhão de toneladas o volume que entra no país sem a taxa extra de 55%. O Ministério do Comércio da China informou ao Brasil, no dia 10 de agosto, que a cota já havia atingido 90%.
Herlon Brandão, diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do Mdic, afirmou que a redução nos embarques era esperada. Exportadores diminuem os volumes para evitar a aplicação da taxação chinesa.
Os envios para a Ásia, com destaque para a China, caíram 19,2% em agosto em relação ao mesmo mês de 2025. No acumulado do ano, porém, as exportações para o destino registram alta de 15% no valor e de 3,3% no volume.
Para os Estados Unidos, as vendas externas recuaram 3,1% em agosto, mas o valor exportado subiu 12,1%. Brandão explicou que a variação foi puxada pelo aumento de preços de produtos tarifados. De janeiro a agosto, as exportações para os EUA acumulam queda de 13,6% em volume e de 9,7% em valor.
Outros setores também registraram perdas na balança comercial de agosto. As vendas de açúcares e melaços caíram 27,5% em volume e 37% em valor. Nas importações, houve redução de 43,2% no volume de adubos e fertilizantes comprados.


