Eleitores do estado da Saxônia-Anhalt, na Alemanha Oriental, votam neste domingo (6) em um pleito que pode levar o partido Alternativa para a Alemanha (AfD) ao poder. Se conquistar a maioria absoluta, a legenda de extrema direita será a primeira a governar um estado alemão desde o fim da Segunda Guerra Mundial.
A comissária do governo federal para o leste do país, Elisabeth Kaiser, atribui a força do partido a disparidades persistentes entre as regiões ocidental e oriental quase 40 anos após a reunificação. Segundo a secretária de Estado, a população local associa a mudança a experiências negativas, como a estagnação econômica e privatizações forçadas ocorridas após 1990.
Kaiser afirma que o êxodo populacional nas décadas de 1990 e 2000 gerou nos que ficaram a sensação de serem invisíveis e desfavorecidos. Esse cenário favorece o discurso revanchista da AfD, que defende o fechamento das fronteiras. A comissária explica que a Alemanha Oriental não era uma sociedade de imigração e que nela prevalecia um forte racismo, apesar do discurso oficial da época.
O partido também utiliza a nostalgia do passado comunista para atrair eleitores. Ulrich Siegmund, principal candidato da AfD na Saxônia-Anhalt, usa a motocicleta Simson em sua campanha, símbolo de liberdade no antigo regime. Para eleitores mais velhos, a segurança do período comunista é lembrada, embora Kaiser ressalte que isso ocorria devido ao controle e vigilância total.
Na política externa, a AfD prega a aproximação com a Rússia, posição que encontra eco no leste alemão devido a um antiamericanismo acentuado. A legenda mantém essa linha mesmo diante da invasão da Ucrânia e de ataques em solo alemão atribuídos a Moscou.
A comissária alerta que cortar subsídios ao leste, como a sobretaxa Soli criada em 1991, seria desastroso. Segundo Kaiser, a interrupção desses recursos daria credibilidade à postura de vítima adotada pela AfD. Ela define o avanço da legenda como um sismógrafo para o restante da Alemanha, onde o partido também registra crescimentos no oeste.


