O partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD) venceu as eleições regionais em Saxônia-Anhalt, no domingo (6), com 44% dos votos, segundo resultados provisórios. A legenda superou a União Democrata Cristã (CDU), de centro-direita, que obteve menos de 20% da votação em um pleito com recorde de 77% de participação dos 2,1 milhões de eleitores.
Apesar do resultado, a AfD não atingiu a maioria absoluta. O grupo conquistou 39 das 83 cadeiras da legislatura, faltando três assentos para governar sem apoio. Partidos tradicionais alemães mantêm a recusa de formar coalizões com a sigla, o que torna incerto o caminho para a posse do governo.
A plataforma da AfD em Saxônia-Anhalt inclui a restrição da imigração, o fim da ajuda à Ucrânia e a saída da Alemanha da zona do euro. O partido propõe a segregação de filhos de refugiados em escolas, a proibição de bandeiras do arco-íris em instituições de ensino e a revisão de currículos escolares para reduzir a ênfase no Terceiro Reich.
Ulrich Siegmund, candidato principal da AfD, afirmou que a vitória representa a retomada do país e que a situação provoca um impacto em toda a Alemanha. O serviço de inteligência do estado classifica a ala regional do partido como “extremista de direita”, designação rejeitada pelas lideranças da legenda.
O resultado provocou reações internacionais. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou os resultados em sua rede social, enquanto o bilionário Elon Musk parabenizou a co-líder Alice Weidel. Já o primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, classificou o triunfo da AfD como algo que apenas “idiotas ou traidores” poderiam comemorar.
O Instituto de Pesquisa Econômica de Halle alertou que as políticas anti-imigração podem agravar a escassez de mão de obra e causar prejuízos bilionários à economia local. O chanceler Friedrich Merz argumentou que a vitória da extrema-direita pode afastar investimentos estrangeiros do estado.
Siegmund descartou liderar um governo minoritário e sugeriu a possibilidade de novas eleições caso não consiga formar uma base de apoio. A Aliança Sahra Wagenknecht (BSW), que obteve 5,3% dos votos, indicou disposição para conversar com a AfD, embora tenha rejeitado a indicação de Siegmund para o cargo de premiê.


