O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, afirmou nesta quarta-feira (2) que anunciará “medidas cabíveis e necessárias” após a divulgação de mensagens enviadas pelo banqueiro Daniel Vorcaro ao ministro Alexandre de Moraes. Fachin declarou que as ações serão adotadas no tempo devido e sem precipitação.
Um relatório da Polícia Federal (PF) indica que Vorcaro teria apelado a Moraes para evitar o cerco de autoridades durante a crise de sua instituição financeira. Em um período de 13 dias, mensagens extraídas do celular do banqueiro mostram pedidos de intervenção para impedir a liquidação do banco e a progressão de investigações. Vorcaro utilizava prints de visualização única para enviar textos escritos previamente em um bloco de notas.
Nos diálogos, o banqueiro pediu que o ministro tentasse sensibilizar o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, para adiar operações. No dia 16 de novembro de 2025, Vorcaro sugeriu que, se a operação fosse atrasada por conta de um feriado, o banco não quebraria. Ele também questionou a leitura de Moraes sobre a situação e se seria possível reverter cenários com o procurador-geral da República, Paulo Gonet.
O banqueiro ainda buscou ajuda para agendar uma reunião com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, temendo a liquidação extrajudicial do Master. A medida ocorreu dois dias depois, resultando em um rombo bilionário ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Vorcaro chegou a mencionar gratidão à família do ministro e afirmou que não faria movimentos judiciais sem o aval de Moraes.
No dia 17 de novembro de 2025, horas após perguntar a Moraes se havia novidades sobre bloqueios, Vorcaro foi preso no Aeroporto Internacional de Guarulhos durante a Operação Compliance Zero. Agentes da PF o interceptaram enquanto ele se preparava para embarcar em um jato particular com destino a Dubai. Apurações indicam que o banqueiro tinha acesso indevido a sistemas internos da PF, do MPF e do FBI.
O ministro Alexandre de Moraes respondeu a algumas mensagens, mas o conteúdo não foi identificado porque ele também utilizou o recurso de visualização única e seu aparelho não foi alvo de quebra de sigilo.


